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domingo, 27 de setembro de 2009

O Menino e o Anjo

O menino olhou para a mãe e perguntou:


Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum. Como ela confirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas até encontrar um anjo.


É uma boa idéia falou a mãe Irei com você.


Mas você anda muito devagar argumentou o garoto. Você tem um pé aleijado.


A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito mais depressa do que ele pensava. Lá se foram. O menino saltitando e correndo, e a mãe mancando, seguia atrás.










De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa, puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em veludos e sedas, com plumas brancas, nos cabelos escuros. As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis dourados. O menino correu ao lado da carruagem e perguntou à senhora:


Você é um anjo?


Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro, que chicoteou os cavalos, e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e tossiu bastante. Nesse momento, chegou sua mãe, que limpou toda a poeira do seu rosto, com seu avental de algodão azul.


Ela não era um anjo, não é, mamãe?










Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um, respondeu a mãe.


Mais adiante, uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram como estrelas azuis. O garoto lhe perguntou:


Você é um anjo?


Ela ergueu o pequeno em seus braços e respondeu, feliz:


Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo. Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado chegando. Mais do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e caiu.


Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho! disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado.


O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe, e lhe enxugou as lágrimas, com seu avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, não era um anjo.


O garoto abraçou o pescoço da mãe, e disse estar cansado.


Você me carrega?










É claro disse a mãe. Foi para isso que vim. Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava. Então o menino a abraçou com força, e lhe perguntou:


Mãe, você não é um anjo?


A mãe sorriu e falou mansinho:



Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão azul, como este...

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